“Nele, todo o edifício, bem-ajustado, cresce para ser um santuário dedicado ao Senhor.” - Efésios 2.21 (NAA)
A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, a conhecida CF, dispõe no seu artigo 5º, inciso XI, que “a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador”. A Lei Maior da nação brasileira visou proteger e garantir um direito entendido como de extrema importância. Não há local mais seguro e protegido que a casa onde se mora. Pelo menos deveria ser. Nesse sentido, casa se torna um lugar de refúgio garantido.
A Inteligência Artificial, IA, assim define casa: “Casa é uma construção física destinada à habitação, servindo de abrigo e proteção. Vai além da estrutura, representando um lar, sentimento de pertencimento, conforto e refúgio familiar. Pode referir-se à moradia individual, ou ao conjunto de pessoas que vivem juntas (família/doméstico) (g.n)”. Levando-se em conta esse conceito, é instigante pensar por qual razão o Apóstolo Paulo compara os cristãos a edificações “vivas”, constituindo uma família especial, porquanto é família de Deus (Ef 2.19). Uma boa metáfora, cuja ilustração facilita o entendimento sobre o que cada crente é e representa na estrutura dessa família da fé.
Primeiro, observemos o ingresso nessa família de Deus. Ele acontece quando a pessoa ouve o Evangelho, compreende o seu significado, abre o coração, voltando-se para Deus em arrependimento e fé. O apóstolo afirma: “Naquele tempo vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo” (Ef. 2.12). Antes da conversão graciosa e operosa de Deus, por meio de Cristo Jesus, nenhuma pessoa tem vínculo com o Eterno, embora se beneficie das misericórdias d’Ele (leia Lucas 6.35; Ef 2.4 e 5). Por Cristo e Sua obra na cruz, somos reconciliados com Deus, recebendo uma marca de propriedade, que é o Espírito Santo (Ef. 1.13 e 14). Assim, somos inseridos na família de Deus. União e inclusão (Ef 2.18 e 19).
E como nos tornamos casa e habitação de Deus? O primeiro passo é pertencer à família, conforme exposto anteriormente. Uma vez regenerado, a obra transformadora ilustrada pelo apóstolo Paulo, por meio da metáfora do “edifício” (Ef 2.20), inicia. O teólogo e comentarista do Novo Testamento, chamado Francis Foulkes, assim destacou a compreensão dessa obra: “Aqueles cuja fé está em Cristo Jesus são semelhantes a um edifício construído (...) foram eles (os apóstolos e profetas) o início da construção sobre a qual outros deveriam ser edificados...” (g.n).
Uma vez em Cristo, cresceremos a cada dia, buscando alcançar a estatura de “verdadeiros cristãos” (Ef 4.13). Tudo isso ilustra bem a posição de Cristo como fundamento principal (pedra angular) que conecta, direciona e estabiliza toda a estrutura. A honrosa posição do Senhor Jesus e a forma como cada um cristão se encaixa n’Ele. Assim, nos tornamos santuário ao Senhor (Ef 2.21). A igreja é viva (dinâmica), em constante processo de expansão. Tanto em quantidade, por causa daqueles que dia a dia são acrescentados à família da fé, quanto em qualidade, porque em Cristo somos aperfeiçoados (leia Colossenses 2.10).
Por fim, a conclusão do apóstolo Paulo é que a morada de Deus não é o templo físico (edificação de pedra e cimento), mas a igreja. Igreja aqui é a união dos crentes, lavados e remidos no sangue do Cordeiro, em todos os tempos, de todos os lugares (Ef 2.16).
Ao concluir esta breve exposição, é certo o entendimento que para ser casa de Deus é preciso pertencer a Ele. Isso acontece por meio do Espírito Santo que habita naquele que recebe a Cristo como seu Senhor e Salvador (Ef 2.22). Como isso acontece? O escritor/teólogo Warren Wiersbe assim explica: “O Espírito Santo realiza essa obra pegando pedras mortas do poço do pecado (...), dando-lhes vida e colocando-as com todo amor no templo de Deus...”. Por isso mesmo, não é sem razão que o capítulo 2 da carta de Paulo aos Efésios começa com os dizeres: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados...” (Ef 2.1). Ao experimentarmos essa graça, nos tornamos; somos feitos habitação do Senhor Deus, para honra e glória do Seu louvor (Ef 1.12).
- Pr. Edson Gonçalves – Pastor Auxiliar









