“... vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou...” Lucas 15.20 – ARA
Na Bíblia encontramos muitas histórias sobre relacionamentos familiares. Alguns são exemplos profundos de como uma família deve viver para servir a Deus, o que sugere (e requer) sintonia entre seus membros para aquele fim. Josué, um líder do povo israelita descrito no Antigo Testamento, após ter tomado posse da terra que Deus prometera, fez uma afirmação incisiva e que envolveu sua família. Ele disse aos seus conterrâneos: “...eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (vide Josué 24.15).
Da mesma forma, e por se tratar de seres humanos, pecadores, a mesma Bíblia também conta sobre famílias que falharam nos relacionamentos entre seus membros e por isso, acontecimentos trágicos marcaram suas histórias. Absalão, filho de Davi, ao vingar a honra de sua irmã Tamar, torna-se pivô de um crime bárbaro contra seu meio-irmão, Amnon (leia 2º Samuel 13). Outro caso interessante no relato bíblico envolve dois irmãos. Jacó e Esaú. Jacó ludibriara seu pai, Isaque e seu irmão, “apropriando-se” de uma bênção prometida (leia Gênesis 27.4). A trama familiar (leia Gênesis 27) resulta no sentimento de ódio por parte de Esaú, com o desejo intenso de matar o irmão (leia Gênesis 27.41). Anos depois, Jacó se encontra com Esaú. Uma tentativa de reconciliação cheia de incertezas e medo (leia Gênesis 32).
Famílias estão no plano divino desde o início de todas as coisas. Por isso, merecem destaque e atenção especial. O relacionamento familiar precisa (e deve) ser marcado por muitas ações, práticas do cotidiano, as quais manterão a harmonia e o bom convívio. Uma dessas práticas, é o perdão. Não se vive bem sem se perdoar. Aliás, este é o ensinamento de Cristo aos seus discípulos e a nós em vários momentos do Seu ministério terreno. Na oração do “Pai Nosso” é dito: “perdoa-nos as nossas dívidas ‘ofensas, em algumas traduções’ (g.n) assim como nós também perdoamos aos nossos devedores” (leia Mateus 6.12). Há uma condicionante (leia Mateus 6.14).
Na parábola do filho pródigo, evangelho segundo Lucas, capítulo 15, o membro mais novo da família resolve que quer a sua parte na herança. Despreocupado com o quanto ofenderia seu pai, apropria-se do dinheiro e vai viver longe da família, desperdiçando uma riqueza que não produziu, num modo de vida desenfreado (leia Lucas 15.11 – 13). Não demorou muito para o dinheiro acabar e o rapaz se ver em grande aperto e vergonha, submetendo-se à mais baixa e deplorável condição para um judeu, que era cuidar de porcos (leia Lucas 15.15). Precisou sofrer consideravelmente para “cair em si” e buscar a reconciliação familiar (leia Lucas 15.16 – 19). Agora, é tomar o difícil porém necessário caminho de volta; da concórdia. O texto é impactante quando descreve a chegada do moço às proximidades da casa do pai. “...Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e compadecido dele, correndo, o abraçou e beijou” (leia Lucas 15..20). Que cena!
O contexto da parábola do filho pródigo, contada por Jesus Cristo, é o amor de Deus pelo perdido e o Seu interesse na salvação. No entanto, ao levar-se em conta a compreensão “ao pé da letra”, poderemos extrair bons e proveitosos ensinamentos para aplicá-los à prática da convivência familiar, principalmente no que diz respeito ao perdão. Seguem alguns pontos considerados.
- Algumas Decisões Podem Provocar Rupturas na Família – Saiba minimizar as tensões. Ao pedir sua herança, o filho mais moço não se preocupou com os sentimentos do seu pai, nem do irmão mais velho. Talvez obstinado para conhecer o desconhecido, não tenha ouvido conselhos nem pedidos. Sua vontade o lançou acima dos demais membros da família e, os encantos de uma vida sem ter que “dar satisfação” para os demais de sua casa, o fizeram apressar a saída. O retorno indica uma rachadura com o irmão mais velho. Decisões precipitadas têm esse “efeito”. O pai é o intermediador do necessário perdão. Seus argumentos apontam para uma realidade ainda maior que a decisão equivocada do filho mais novo. “...seu irmão estava morto e reviveu...” (Leia Lucas 15.32).
- O Caminho do Perdão Visa Restaurar Relacionamentos – Somos chamados a agir como o pai que corre e abraça. O jovem que abandona o lar já não se julga digno de ser chamado de filho (leia Lucas 15.18 – 19). No entanto, o pai amoroso e disposto a perdoar, o cobre de honras (leia Lucas 15.22 – 23). Muitas outras passagens da Palavra de Deus nos direciona a atitude do perdão restaurador. O apóstolo Paulo, quando escreve aos Colossenses, destaca que se deve “perdoar mutuamente as queixas uns dos outros” e conclui suas instruções lembrando que o perdão que dispensamos deve ser na mesma medida que recebemos do Senhor. (Leia Colossenses 3.13). Que desafio, hein! Ao considerarmos que o perdão dos nossos pecados custou o sacrifício do justo Cristo; que é Ele quem reconcilia consigo todas as coisas (leia 2º Coríntios 5.19) então o caminho do perdão se torna o mais excelente. Perdoe aquele membro da família que complica um pouco as coisas. Restaure relacionamentos.
- O Amoré o Argumento do Perdão – Pacifique o coração do seu parente. Expresse o seu amor. Quando o pai busca alcançar o filho mais velho, ele argumenta que tudo o que o tem pertence também a ele, filho. Nesse sentido, não há razões para seguir revoltado com o irmão mais novo. A família é chamada à alegria e celebração, porque os motivos para festejar, são e estão muito acima daqueles que justificariam outro comportamento que não fosse perdoar. Há razões grandiosas para manter a família unida e em harmonia, mesmo depois de enfrentar uma grande crise. “É preciso festejar e alegrar-se...” (leia Lucas 15.32).
A festa da reconciliação descrita na parábola do filho pródigo, não é qualquer festa. Os atos que a cercam tomam por finalidade reatar o relacionamento da casa, dos seus membros e a normalidade no ambiente da convivência familiar. Sejamos encorajados a prática de abraços e beijos naqueles parentes que avistarmos longe ainda. E não nos esqueçamos de chamá-los e recebê-los de volta na família sempre que precisar.
- Pr. Edson Gonçalves – Pastor Auxiliar









