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Série Liberalidade: A Ética da Liberalidade
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| Rev. Luís Fernando Nacif Rocha |
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2 Coríntios 8:13-15 - Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta (Êx 16.18).
Pouco se ouve falar de comunismo em nossos dias. Quando se fala, é como se tratasse de algo velho, fora de moda. Tampouco se fala de capitalismo, algo tão arraigado em nossa cultura que nem chama mais a atenção. Nem parece que há poucas décadas pessoas matavam e morriam por causa de ambos.
Com a aproximação das eleições, é interessante ver como antigos comunistas e capitalistas apresentam posições parecidas, politicamente corretas, defendendo a igualdade de oportunidades e a distribuição de renda. Pena que pouco deste discurso é realmente concretizado, pois nosso país é conhecido como tendo uma das piores distribuições de renda no mundo. Poucos ganham muito, e muitos recebem muito pouco.
No início da Igreja, não era diferente. O Império Romano sobrevivia à custa da exploração de outros povos e vez por outra os judeus passavam por grandes dificuldades. Quando Paulo escreve sua 2ª Carta aos Coríntios, ele chama a atenção daqueles irmãos para a coleta que estava sendo feita para os necessitados de Jerusalém. E já prevendo que alguns poderiam tentar se esquivar da responsabilidade alegando que ficariam desguarnecidos se ofertassem, o apóstolo afirma ser necessário que haja igualdade. O princípio é simples: aquele que tem oferta para o mais necessitado, para que no Reino de Deus não tenhamos gente com abundância enquanto outros padecem. Esta injustiça não combina com o caráter do nosso Rei.
Por isto, Paulo usa a figura do maná no deserto, citando Êxodo 16:18 – “O que muito colheu não teve demais; e o que colheu pouco, não teve falta”. A questão não é ter muito ou pouco, mas demais ou falta. Comunismo e capitalismo por definição se aproximam de dois extremos antibíblicos – o primeiro querendo que todos tenham a mesma coisa, enquanto o outro incentiva o monopólio de poucos à custa dos demais. A Bíblia em momento algum condena a riqueza ou a pobreza, mas sim o ter demais ou de menos.
No Reino de Deus, o abençoado financeiramente entende que é assim, não porque Deus o ama mais ou porque é melhor que os outros, mas porque Deus lhe propicia a oportunidade (e responsabilidade) de abençoar os necessitados com sua riqueza, sempre lembrando que tais riquezas podem se tornar um laço para sua alma. Por outro lado, o que tem menos não precisa se envergonhar de viver assim, pois o Senhor está interessado em valores mais importantes e eternos para sua vida.
Mas quando a diferença entre um e outro se torna demasiado grande, é indicativo de que uma dinâmica está em falta: a prática da liberalidade. Muitas vezes, só os dízimos não são suficientes para realizar este equilíbrio e Paulo chama os coríntios – como havia feito com sucesso com os macedônios – a participar de uma coleta especial para suprir os judeus de Jerusalém em sua falta. E para participar, não era uma questão de quanto dinheiro a pessoa tinha, mas de qual era o tamanho de seu coração.
Da mesma forma, somos sempre chamados como igreja a dar um passo a mais em nossas ofertas, vendo nesta atitude uma oportunidade de realizar a justiça social que tanto queremos que os políticos e o governo realizem. As eleições estão chegando e, ainda que você consiga discernir qual candidato é de direita e qual é de esquerda, não está neles a esperança para um mundo mais justo, mas na ação transformadora da Igreja de Cristo. Nossa igreja tem na AWISO um braço de ação social transformadora e na Junta Diaconal um apoio para nossos familiares da fé em necessidade, mas ambas esperam da Igreja os recursos e a direção para a ação.
Se há uma ética cristã para ser vivida nesta geração, com certeza ela passa pela liberalidade. Nossa prática deve ultrapassar nosso discurso e nossa justiça e os efeitos de nossa vida na justiça social devem ser marcantes em nossa sociedade, para que alguns não tenham demais, enquanto outros têm em falta. E assim esta geração verá nossa atitude e glorificará o Pai (Mateus 5:16). |
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