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Valores: Batalha de Prazeres

Rev. Luís Fernando Nacif Rocha
 
Sinceramente não me lembro de ter lido ou escutado de alguém que lutou intensamente com o desejo de comer um prato de jiló ou beterraba. Também nunca fiquei sabendo de uma pessoa sequer que tenha resistido bravamente ao desejo de ficar em pé numa fila de banco. Com todo o respeito que tenho ao jiló e à beterraba (e este é o melhor sentimento que consigo ter em relação aos dois), alguém com tais tipos de desejos intensos provavelmente necessita de acompanhamento psicológico.

Quando o assunto é desejo intenso, só um tipo de acontecimento pode gerá-lo: aquele que provoca em nós prazer. E é aí que reside o problema quando o assunto é lutar contra um pecado. Nunca estamos lutando contra algo que não queremos ou não gostamos, mas certamente algo que nos dá um prazer certo, ainda que este prazer venha acompanhado de destruição de relacionamentos, culpa, depressão ou endurecimento e frieza de coração.
O pecado nunca se apresenta como algo ruim, de princípio, mas como algo que nosso corpo, mente ou emoções necessitam com grande clamor: “Eu quero ser feliz!”, ainda que dentro de pouco tempo descubramos que estamos mais infelizes ainda do que no momento anterior ao ato.

Pedro mostra-nos um eficaz antídoto contra esta busca de prazeres (2 Pe 1:3,4). Ao invés de tentar minar o desejo pecaminoso apenas pela prática de disciplinas espirituais (sendo elas muito importantes para nossa jornada rumo à santidade), o apóstolo recomenda que usemos as “grandiosas e preciosas promessas de Deus” (NVI) como combustível para uma vida santa. Os prazeres do pecado se tornam ainda mais convidativos se não temos nada maior a chamar nossa atenção. Se acharmos que a alegria que Deus tem para nossa vida é só aquela que enxergamos com nossa limitada visão temporal, cedo ou tarde acabaremos seduzidos por prazeres mais instantâneos. Mas se deixarmos que as grandiosas e preciosas promessas que Deus espalhou nas Escrituras inundem nossos corações, vamos entender que a vida que há na presença de Jesus em nós é algo incomparável, fazendo as mais atrativas tentações parecerem uma pratada de jiló com beterraba ou uma hora inteira de fila no banco.

Exatamente por este motivo o autor da Epístola aos Hebreus cita o exemplo de Jesus (12:1-3) : ‘‘Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Pensem bem naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem nem desanimem’’.

Jesus tinha alternativas mais prazerosas naquele momento do que ser pendurado numa cruz, mas sabia que só através da cruz poderia colher os frutos eternos que desejava: nossas vidas. O Pai havia proposto a ele uma alegria indizível, mas a cruz estava no caminho para tal alegria. O mesmo Pai tem para nós alegrias incomparáveis e eternas, mas a mesma cruz está em nosso caminho, a cruz que nos faz abrir mão de nossos desejos pecaminosos e dizer não para inúmeros e diários convites. A cruz que o Mestre suportou e que nos convida a tomar:
Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. (Lucas 9:23)

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